Delegado André Serrão e especialistas trazem ao evento estratégias contra o crime organizado
A aplicação da inteligência artificial no enfrentamento ao roubo de cargas será um dos destaques do Fórum Regional de Segurança do SETCERGS, que ocorre no dia 28 de abril, das 14h às 17h, na sede da Entidade, em Porto Alegre. O evento reúne autoridades, especialistas e representantes do setor para debater soluções práticas voltadas à prevenção, monitoramento e resposta a ocorrências no Transporte Rodoviário de Cargas (TRC).
Entre os participantes está o delegado André Serrão, titular da Delegacia de Repressão ao Roubo e Furto de Cargas (DRFC), do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) do Rio Grande do Sul. O delegado foi o único representante do Estado no II Encontro da Rede Nacional de Combate ao Furto e Roubo de Cargas (Redecarga), realizado em março, em São Luís, no Maranhão, reunindo representantes de forças de segurança dos 26 estados e do Distrito Federal. A partir dessa experiência, Serrão traz ao Fórum uma visão atualizada sobre a atuação integrada no combate ao crime organizado e o uso de tecnologias no enfrentamento ao roubo de cargas.
O delegado Serrão estará no painel “Inteligência Artificial na Segurança do Transporte: prevenção, monitoramento e resposta ao roubo de cargas”, ao lado de representantes da Secretaria Estadual de Segurança Pública do Rio Grande do Sul, da Polícia Rodoviária Federal (PRF) e da Brigada Militar.
“A Redecarga é uma iniciativa do Ministério da Justiça e Segurança Pública que une as forças de segurança para ampliar a cooperação, operações e os resultados no combate a esse tipo de crime. Essa integração favorece a segurança pública no enfrentamento de um crime que está cada vez mais estruturado”, afirma Serrão.
Ações coordenadas
Segundo o delegado, cerca de 85% dos roubos de carga no Brasil estão concentrados na região Sudeste, especialmente no Rio de Janeiro e em São Paulo, muitas vezes com envolvimento de organizações criminosas estruturadas e financiamento para aquisição de armamentos. “O grau de sofisticação dessas ações também chama a atenção. São ações coordenadas, em que, muitas vezes, os criminosos demonstram possuir informações privilegiadas sobre o funcionamento das empresas”, explica.
No Rio Grande do Sul, os números deste tipo de crime indicam oscilação: foram mais de 120 ocorrências em 2023, 74 em 2024 e 82 em 2025. Apesar da redução em relação a anos anteriores, o delegado ressalta que a consolidação dessa queda depende de avanços estruturais. “Hoje ainda se trabalha muito de forma reativa. É preciso mapear a mancha criminal e a atuação dos grupos para antecipar movimentos. Precisamos de mais suporte e do uso da inteligência artificial para aumentar o tempo de resposta”, aponta.
Para Serrão, o caminho passa pela integração entre instituições. “Precisamos de todos atuando juntos, com o fortalecimento das forças de segurança, maior integração de dados entre órgãos públicos e o uso da inteligência artificial para agir de forma preventiva contra as quadrilhas organizadas”, conclui.
Fonte: Jornalismo SETCERGS