Alta dos juros, crédito restrito e impacto do agronegócio puxaram retração de 8,7% nos licenciamentos, enquanto o programa Move Brasil sustenta a expectativa de crescimento moderado no próximo ano
O mercado brasileiro de caminhões encerrou 2025 sob forte pressão do ambiente macroeconômico, refletindo a combinação de juros elevados, crédito restrito e cautela dos embarcadores. Dados consolidados divulgados pela Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave) indicam que os licenciamentos do segmento fecharam o ano com queda de cerca de 8,7% na comparação com 2024, somando pouco mais de 110 mil unidades, após sucessivas revisões para baixo das projeções ao longo do ano.
O desempenho reflete um ambiente macroeconômico adverso, marcado por juros elevados, restrição de crédito e maior seletividade dos investimentos, como analisado pela economista Tereza Fernandes. Embora tenham sido observadas reações pontuais em determinados meses, o balanço anual confirma um cenário desafiador para os veículos pesados. De acordo com o diretor executivo da Fenabrave, Marcelo Ciardi Franciulli, o desempenho foi diretamente impactado pelas dificuldades enfrentadas pelo agronegócio em 2025. “Foi um ano bastante difícil para o agro e a consequência foi um impacto importante nas vendas, especialmente de extrapesados, que representam quase 50% do segmento. Esse segmento teve uma queda média de 20% sobre o ano anterior”, afirma.
O comportamento do mercado foi heterogêneo dentro do próprio segmento. Enquanto os caminhões extrapesados sofreram retração acentuada, os modelos médios e semipesados apresentaram crescimento de 31% e 4%, respectivamente, refletindo demandas mais específicas e menor dependência de operações fortemente alavancadas. Ainda assim, o desempenho mensal mostrou volatilidade. A comparação entre novembro de 2025 e dezembro de 2024 indica crescimento de 11,1%, mas, quando analisado o resultado de dezembro de 2025 frente ao mesmo mês do ano anterior, o saldo é negativo, com retração de 11,8%.
O enfraquecimento do mercado de caminhões também afetou diretamente os implementos rodoviários. Em 2025, o segmento registrou queda de 19,9% nos licenciamentos, totalizando 71.030 unidades. Segundo a Fenabrave, muitos frotistas priorizaram a renovação dos cavalos mecânicos, impulsionados pela adoção da tecnologia Euro 6, adiando investimentos em implementos.
Mercado Automotivo
Apesar do desempenho negativo dos caminhões, o setor automotivo como um todo encerrou 2025 em crescimento. Foram 5.124.544 unidades emplacadas no ano, alta de 8,02% em relação a 2024, superando a projeção inicial da entidade, que estimava avanço de 7,2%. O resultado foi fortemente influenciado pelo desempenho das motocicletas, que bateram recorde histórico, com crescimento de 17,1% e 2.197.308 unidades licenciadas. Segundo Franciulli, o segmento mudou de patamar, impulsionado pelo uso profissional em atividades de entrega e transporte individual, com forte participação dos consórcios, responsáveis por cerca de 30% das vendas.
No segmento de autos e comerciais leves, o crescimento foi mais moderado, de 2,6%, com 2.249.462 emplacamentos em 2025. A Fenabrave destaca que a paralisação da fábrica da Toyota afetou os resultados, enquanto o programa Carro Sustentável contribuiu positivamente para as vendas. Ainda assim, a taxa de juros elevada e a implementação parcial do marco regulatório das garantias limitaram uma recuperação mais robusta.
Fonte: Transporte Moderno