Cidades do RS participam de pesquisa nacional inédita sobre saúde mental

Porto Alegre e Santa Cruz do Sul estão entre os oito municípios do país escolhidos para a fase piloto do estudo do Ministério da Saúde

O Brasil iniciou nesta semana um passo inédito para ampliar o conhecimento sobre a saúde mental da população. Começou a fase piloto da Pesquisa Nacional de Saúde Mental (PNSM-Brasil), o primeiro grande estudo de base populacional voltado exclusivamente a mapear a situação da saúde mental de pessoas com 18 anos ou mais em todo o país. No Rio Grande do Sul, Porto Alegre e Santa Cruz do Sul estão entre os oito municípios escolhidos para participar desta etapa inicial. Coordenada pelo Ministério da Saúde, a pesquisa busca estimar a prevalência de transtornos mentais como depressão e ansiedade, além do uso de álcool e outras drogas e de comportamentos relacionados ao suicídio.

Objetivos do estudo
A proposta é produzir dados estratégicos que ajudem a entender como esses problemas se distribuem entre diferentes grupos da população, considerando fatores como sexo, idade, escolaridade, renda e região. A iniciativa também pretende identificar também fatores de risco e de proteção associados às condições de vida, experiências de violência, discriminação e adversidades na infância.

As informações levantadas devem servir de base para o planejamento e o fortalecimento das políticas públicas de saúde mental, especialmente no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS).

Além de traçar um panorama sobre os transtornos mentais, a PNSM-Brasil vai avaliar o acesso da população aos serviços de saúde: quantas pessoas buscam atendimento, que tipo de cuidado recebem e quais dificuldades enfrentam para conseguir tratamento. O objetivo é contribuir diretamente para o aprimoramento da Rede de Atenção Psicossocial.

Como vai funcionar
A pesquisa será realizada por meio de entrevistas presenciais nos domicílios, com uma amostra probabilística representativa da população adulta brasileira. Em cada residência visitada, apenas uma pessoa será sorteada para responder ao questionário. As entrevistas têm duração média de cerca de 60 minutos e seguem uma ferramenta padronizada internacionalmente. Os entrevistadores passam por treinamento específico, que inclui orientações sobre abordagem domiciliar, uso de questionário eletrônico em tablets ou notebooks e cuidados éticos ao tratar de temas sensíveis, como sofrimento psíquico, uso de substâncias e ideação suicida. A participação é voluntária e só ocorre após o consentimento livre e esclarecido do morador. Todas as informações coletadas são sigilosas, armazenadas em sistema seguro e analisadas de forma agregada, sem identificação individual, conforme as normas éticas e a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).

Fase piloto
A fase piloto, iniciada na última segunda-feira, 12, é considerada essencial para testar e padronizar os procedimentos antes da ampliação do estudo para outras regiões do país. Além do Rio Grande do Sul, participam municípios do Amazonas, Ceará, São Paulo, Mato Grosso do Sul e o Distrito Federal.
No Ministério da Saúde, a pesquisa é organizada pela Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente (SVSA). Para a diretora do Departamento de Análise Epidemiológica e Vigilância de Doenças Não Transmissíveis, Letícia de Oliveira Cardoso, a participação da população é fundamental. “Ao participar da PNSM, as pessoas ajudam a dar visibilidade à realidade da saúde mental no Brasil, a reduzir estigmas e a fortalecer o SUS com informações qualificadas para ampliar e qualificar o cuidado”, destaca.

Fonte: Correio do Povo

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