Decisão unânime do Comitê de Política Monetária marca o terceiro corte seguido
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central diminuiu a taxa Selic em 0,25 ponto porcentual, de 14,50% para 14,25% ao ano, nesta quarta-feira (17/6). A decisão foi unânime e ficou em linha com a expectativa de 39 das 49 instituições consultadas pelo Projeções Broadcast (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado).
Foi o terceiro corte consecutivo. Os juros já caíram 0,75 ponto porcentual desde março, quando o BC começou um “ciclo de calibração” cautelosa da política monetária, em meio às incertezas sobre os impactos da guerra do Irã na cadeia global de suprimentos, os preços de commodities e a própria inflação. A próxima reunião do Copom ocorre em 4 e 5 de agosto.
Entidades produtivas repercutem
A Fecomércio destaca que a decisão do Copom não trouxe surpresas. “Persistem, contudo, a inflação de serviços, as incertezas relacionadas aos efeitos do El Niño sobre a dinâmica dos preços dos alimentos e, especialmente, da energia elétrica, bem como os impactos decorrentes do crônico desequilíbrio fiscal do país”, diz a nota da entidade.
A Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (Fiergs) também destacou, ao analisar a decisão do Copom, a piora das expectativas de inflação, as incertezas que ainda cercam o cenário internacional e doméstico, reforçando que o corte ainda é insuficiente e precisa ser intensificado nas próximas reuniões.
Para a Confederação Nacional da Indústria (CNI), a redução não contribui para a reversão da asfixia financeira das empresas e das famílias. “Enquanto os juros reais continuarem tão elevados, o custo do crédito vai seguir inviabilizando os planos de produção e expansão da indústria. Da mesma forma, a medida se mostra ineficaz em aliviar o orçamento das famílias, das empresas e do próprio governo, que seguirão estrangulados pelo serviço da dívida, adiando a retomada do consumo e do investimento e a superação do fantasma da inadimplência”, aponta a CNI.
Fonte: Estadão, GZH e Correio do Povo