Cenário de incerteza leva bancos a desacelerar expansão do crédito e aumentar cautela nas operações

Endividamento, guerra e juro alto pesam, e bancos devem manter oferta de crédito reduzida em 2026

O cenário para os bancos brasileiros piorou no início deste ano. O forte endividamento do brasileiro, a guerra do Irã, a Selic em dois dígitos e a recuperação de grandes empresas pesaram nos balanços das instituições do primeiro trimestre de 2026, encarecendo o custo do crédito. As instituições estão com mais dificuldades para reaver o que emprestam, fazendo com que a torneira fique fechada para linhas mais arriscadas.

Itaú Unibanco, Bradesco, Caixa, Santander, Banco do Brasil e Nubank, por exemplo, elevaram no primeiro trimestre do ano as provisões para possíveis inadimplências. Dados dos balanços dos bancos mostram que as despesas com as provisões dessas instituições somaram R$ 60,2 bilhões entre janeiro e março deste ano, um crescimento de 45,5% na comparação com o mesmo período do ano passado. Por regra do Banco Central, desde 2025 os bancos são obrigados a reservar a quantia correspondente à perda esperada no crédito. 

Dados do Banco Central apontam que o endividamento das famílias brasileiras atingiu 49,9% em fevereiro e renovou o recorde histórico da série, iniciada em janeiro de 2005. O resultado se iguala ao pico observado há quase quatro anos, em julho de 2022.Mesmo com o aumento na renda do brasileiro subindo, o custo de vida segue em alta, o que impacta a capacidade de pagamento do cliente pessoa física. A inflação voltou a subir em março e abril, chegando a uma alta de 4,39% em 12 meses, e a expectativa do mercado é que chegue a 4,91% ao fim do ano. Com a pressão do conflito no Oriente Médio sobre os combustíveis, os preços podem subir ainda mais.

A inflação mais alta ainda pode levar a um corte menor na Selic, hoje em 14,5% ao ano, além de já levantar apostas de alta de juros nos Estados Unidos, o que prejudica a economia global como um todo.Segundo analistas, o Desenrola 2.0 deve ajudar bancos e devedores, mas, como o programa é voltado a pequenos devedores e não inclui contas de serviços básicos como água, luz e telefone, o efeito é reduzido.

O agronegócio também possui atrasos com as instituições bancárias acima de 90 dias subindo para 6,22% do total emprestado, um salto anual de 3,46 pontos percentuais. O setor vive uma onda de recuperações judiciais desde a queda na safra de grãos de 2024, após colheita recorde de 2023. Também contribuiu para o aumento nas provisões o risco de que o fenômeno climático El Niño afete a safra deste ano.

Fonte: Folha Press via Jornal do Comércio

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