Falta de duplicação e a sobrecarga das rodovias estão entre os principais gargalos do setor

Presidente do SETCERGS, Delmar Albarello, ressalta que aumento do tempo das viagens encarece o custo operacional

A reportagem de GZH embarcou em um caminhão da Cooperativa Agropecuária Júlio de Castilhos (Cotrijuc) para acompanhar a viagem de 420 quilômetros entre Júlio de Castilhos e Rio Grande para a entrega de 37 toneladas de soja. A equipe viu de perto obstáculos que vão de asfalto castigado a rodovias em pista simples e logística engenhosa para a descarga no terminal portuário na zona sul do Estado. 

Pela estrada, uma sucessão de desafios enfrentados pelo transporte rodoviário de cargas que fazem as rotas se transformarem em custo, tempo e uma ginástica logística, especialmente durante a colheita. O trajeto rumo ao Sul percorre alguns dos principais corredores logísticos relacionados ao escoamento de safra no Rio Grande do Sul, as BRs-158 e 392. Em ambas, o fluxo intenso de caminhões denuncia a dependência do modal rodoviário para o funcionamento da economia gaúcha. 

Presidente do Sindicato das Empresas de Transportes de Carga e Logística no RS (Setcergs), Delmar Albarello, cita dois pontos como os maiores gargalos das rodovias: a falta de duplicação e a sobrecarga das principais vias. Além de espichar o tempo dos deslocamentos, as estradas como opção predominante de trajeto encarecem os custos pelo elevado preço do frete, calculado por quilômetro. Quanto mais longe estiver o destino, mais cara fica a viagem. “A duplicação faz fluir melhor o trânsito e ganhar tempo, que é dinheiro. Por isso, a falta de duplicação é o maior gargalo. Depois, tem a sobrecarga, algo que poderia ser resolvido com as opções multimodais. Mais linhas férreas conseguiriam promover um ganho gigantesco de produtividade ao Estado.

Conforme a Secretaria de Logística e Transportes do Estado, entre 92% e 96% dos grãos destinados ao Porto de Rio Grande são transportados por rodovias. Os maiores impactos do esgotamento da capacidade de tráfego estão nas chamadas BRs estruturantes, especialmente as BR-101, BR-116, BR-392, BR-293 e BR-471. Essas rodovias, além de fundamentais para o transporte de cargas, são importantes também para a mobilidade regional e o fluxo turístico, especialmente no verão.  

Raio X do trecho
De Júlio de Castilhos a Santa Maria, o trajeto pela BR-158 tem asfalto irregular e muitos buracos na pista. Dependendo do horário, a cerração é mais um dificultador. A partir de Itaara, obras em execução para conter os paredões de pedra exigem atenção no trajeto. 

O primeiro trecho de segunda pista aparece cerca de 50 quilômetros depois do início da viagem, no Vale do Menino Deus, também chamado de “garganta do diabo”. Os próximos trechos duplicados só vão aparecer mais à frente, já na BR-392, entre São Sepé e Caçapava. 

Na saída de Santa Maria, as obras finais no entroncamento das BRs 158 e 392, no chamado Viaduto Uglione, diminuem o ritmo da viagem. De Santana da Boa Vista em diante, na BR-392, a condição da estrada melhora bastante, mas sempre em pista simples. 

Neste trecho da viagem, a declividade do terreno é o maior desafio. Nas subidas de serra, a velocidade do caminhão carregado não passa de 30 km/h. O último trecho da viagem, de Pelotas a Rio Grande, é o único totalmente duplicado. É quando a viagem flui melhor, apesar do fluxo intenso. 

Fonte: GZH com edição de Jornalismo SETCERGS

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