Aumento do diesel no RS projeta impacto de R$ 612 milhões nas lavouras

Estudo da Farsul aponta que tensão no Oriente Médio elevou preço do combustível em 21% no Estado

A instabilidade geopolítica no Oriente Médio, que em menos de dois meses impulsionou o barril de petróleo Brent de US$ 70,99 para quase US$ 100, já tem reflexos no agronegócio. No Rio Grande do Sul, o preço médio do diesel saltou 21,1% entre o final de fevereiro e o início de abril de 2026, atingindo o patamar de R$ 7,23 por litro. De acordo com um estudo técnico da Assessoria Econômica da Farsul, o choque, que ocorre em meio à colheita da safra de verão e definição do plantio de inverno, deve gerar um custo adicional direto de R$ 612,2 milhões às operações mecânicas das principais lavouras gaúchas.

A análise revela que o arroz desponta como a atividade mais sensível: o aumento do diesel representa um acréscimo de R$ 185,72 por hectare. Já a soja, responde pelo maior prejuízo agregado ao estado devido à sua grande área de cultivo: R$ 331,2 milhões. O levantamento também aponta a disparidade de preços do diesel dentro do Rio Grande do Sul com variação média do litro entre R$ 7,05 (Porto Alegre) e R$ 7,95 (Bagé).

O estudo é crítico quanto à eficácia de possíveis desonerações fiscais amplas, alertando que o benefício tende a se diluir por toda a economia, apresentando baixa efetividade para o setor produtivo que já incorporou a alta nos seus custos. Além disso, a renúncia fiscal poderia comprometer as contas públicas e dificultar o controle da inflação pelo Banco Central, postergando a queda da taxa Selic.



Fonte: Farsul

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