O preço do diesel no Brasil teve um aumento de 57% e o combustível sustentável subiu quase 98%
Segundo dados apurados pelo Gasola, o preço do diesel no Brasil teve um aumento de 57% e o combustível sustentável subiu quase 98%
Segundo dados apurados pelo Gasola empresa da nstech, o preço do diesel no Brasil teve um aumento, acompanhando a alta dos combustíveis em geral. Nesse período, o litro do diesel subiu cerca de R$ 2,19, uma variação próxima de 57%. Já o biodiesel teve uma alta ainda maior, de quase 98%.
Além disso, a mistura obrigatória também aumentou: em 2020, o percentual médio era de 12%, e hoje está em 15%, com previsão de chegar a 25% nos próximos anos. Essas variações nos valores dos combustíveis estão inseridas em um contexto de discussões sobre a mistura do biodiesel.
Recentemente, a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, participou do Fórum de Debates, organizado pela Confederação Nacional de Transportes (CNT). Na ocasião, Magda afirmou que a estatal estava preparada para atingir, futuramente, o nível de 25% na mistura do biodiesel no diesel e que era “capaz de fornecer um diesel com conteúdo vegetal, estável, perfeito em termos de estrutura”.
Desde 1º de agosto de 2025, após decisão do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), a mistura do biodiesel no diesel está em 15% e este tema tem gerado debate quanto a qualidade dos combustíveis e também quanto às consequências da elevação da porcentagem para o bom funcionamento dos veículos que os utilizam.
PREÇO DO BIODIESEL
Além da questão da qualidade, outra questão deve ser levada em consideração sobre o biodiesel: o preço. De acordo com o especialista em combustível do Gasola, Vitor Sabag, o biodiesel tem um custo por litro superior ao do diesel comum vendido pela Petrobras, por isso, é natural que esse aumento na proporção acabe influenciando o preço final nas bombas.
Ele destacou que isso não significa que o biodiesel seja o vilão da história, mas, sim, que é preciso considerar seus impactos na ponta, especialmente para quem roda muito, como é o caso das transportadoras e frotistas.
“A transição para combustíveis mais sustentáveis é importante, mas precisa vir acompanhada de planejamento, previsibilidade e diálogo com o setor, para que os custos não fiquem desproporcionais e não afetem a competitividade do transporte rodoviário de cargas”, acrescentou.
PRODUÇÃO DO COMBUSTÍVEL
Outro ponto destacado por Sabag é a produção deste combustível. Ele explicou que embora o biodiesel possa ser produzido a partir de diversas matérias-primas, a maior parte da produção nacional ainda é concentrada no óleo de soja, que sofre bastante com a volatilidade do mercado agrícola.
De acordo com o especialista, o aumento gradual do percentual obrigatório na mistura, a demanda por biodiesel cresce, o que naturalmente pressiona os preços para cima. Além disso, há custos logísticos, de armazenagem e de produção que tornam o biodiesel, hoje, mais caro do que o diesel, e esse custo a mais acaba chegando no preço final pago pelos frotistas e transportadoras.
TRANSIÇÃO ENERGÉTICA
Apesar das questões que envolvem o biodiesel no Brasil, o especialista ressaltou que entende a necessidade do aumento da mistura de biodiesel, especialmente dentro do contexto de transição energética.
“O biodiesel é uma alternativa viável no Brasil, especialmente quando consideramos que o país está entre os maiores produtores mundiais”, acrescentou. “Essa escala traz vantagem: temos matéria-prima, know-how, infraestrutura em construção e um programa nacional de mistura obrigatória que dá previsibilidade.”
No entanto, Sabag afirmou que é essencial considerar a realidade do Transporte Rodoviário de Cargas no Brasil, modal que é responsável por 70% do transporte de mercadorias, segundo dados da CNT, onde grande parte da frota é antiga e possui idade média de 18 anos.
“Muitos desses caminhões talvez não estejam preparados para trabalhar com percentuais elevados de biodiesel, o que levanta preocupações técnicas e de custo”. Para efeito de comparação, na Europa, que também utiliza biodiesel, o foco não é apenas aumentar a mistura de biocombustíveis, mas, sim, combinar várias frentes: biocombustíveis mais avançados, combustíveis sintéticos, elétricos, híbridos, políticas que consideram o motor, a frota, o uso urbano ou rodoviário.
De acordo com o especialista, para o transporte rodoviário de cargas o biodiesel pode entrar como parte importante da solução, mas não como único caminho. Para ele, o Brasil pode aprender com a Europa a importância de preparar a frota, garantir compatibilidade técnica, adaptar logística e ter políticas de suporte para que a alternativa seja sustentável em todos os sentidos: técnico, ambiental e econômico.
“A tendência global é caminhar para uma matriz energética mais limpa, e o biodiesel tem seu papel dentro desse processo, mas como parte de um conjunto de soluções, que inclui também eletrificação e outros combustíveis renováveis”, complementou.
Fonte de informações: Mundo Logística