Durante o Tá na Mesa da Federasul, lideranças gaúchas reforçam a importância de planejamento e responsabilidade na condução econômica do País
O debate sobre os rumos do desenvolvimento econômico e os desafios estruturais do Rio Grande do Sul e do Brasil marcou a edição desta quarta-feira (05/11) do Tá na Mesa, promovido pela Federação de Entidades Empresariais do Rio Grande do Sul (Federasul), em Porto Alegre. O encontro reuniu lideranças de diferentes setores produtivos que defenderam investimentos consistentes em infraestrutura, equilíbrio fiscal, previsibilidade e segurança jurídica como pilares para o crescimento sustentável.
O presidente do Sindicato das Empresas de Transporte de Carga e Logística no Rio Grande do Sul (SETCERGS), Delmar Albarello, abriu sua manifestação ressaltando que o País precisa abandonar a lógica de remendos e avançar com planejamento técnico.
“Hoje, em muitas rodovias, faltam acostamentos, sinalização e pontos seguros para parada. Isso compromete a segurança e a eficiência de todo o sistema logístico. Precisamos de uma política de Estado voltada à estrutura, e não de medidas pontuais que se perdem a cada gestão”, afirmou.
Albarello acrescentou que o setor privado está pronto para contribuir, desde que haja confiança e clareza nas decisões públicas. “O setor produtivo quer participar e ajudar o Brasil a crescer, mas sem previsibilidade e regras transparentes é difícil avançar”, completou.
O presidente da Federasul, Rodrigo Sousa Costa, enfatizou a necessidade de enfrentar a realidade econômica com pragmatismo. “A economia não se move por discursos, mas por ações concretas. O Rio Grande do Sul precisa destravar seu potencial e voltar a crescer com eficiência e competitividade”, destacou.
Na mesma linha, o presidente da CDL Porto Alegre, Irio Piva, alertou que a falta de incentivo ao crédito impacta diretamente os pequenos empreendedores. “Quando o governo não incentiva, torna-se muito difícil financiar quem mais precisa. E sem crédito, o pequeno não cresce — e a economia também não”, afirmou.
O presidente da Federação Varejista do Rio Grande do Sul, Ivonei Pioner, reforçou a importância de resgatar princípios e fortalecer o empreendedorismo. “Vivemos um momento de dificuldades, mas também de oportunidade para reconstruir um modelo de desenvolvimento mais justo e sustentável”, pontuou.
O presidente da Associação Gaúcha de Supermercados (AGAS), Lindonor Peruzzo Júnior, apontou sinais de leve recuperação do consumo, mas alertou para a necessidade de estabilidade econômica. “De maio para cá, percebemos melhora no consumo e impactos positivos na carteira dos nossos colaboradores. Isso mostra que há espaço para otimismo, desde que haja segurança e planejamento”, avaliou.
A presidente do Sescon-RS, Paula Dahmer, destacou as preocupações do setor contábil com os efeitos da Reforma Tributária. “Estamos falando de um aumento de custos e de desafios operacionais que preocupam o setor. A falta de clareza na regulamentação pode gerar insegurança e afetar diretamente a saúde financeira das empresas”, afirmou.
Encerrando as manifestações, o presidente da Associação Gaúcha para Desenvolvimento do Varejo (AGV), Vilson Noer, chamou atenção para o impacto da economia informal no País. “A informalidade movimenta cerca de R$ 1,7 trilhão, o equivalente a quase 20% do PIB brasileiro. Combater a economia subterrânea é essencial para garantir competitividade e justiça no ambiente de negócios”, destacou.
O encontro reforçou o alinhamento das principais entidades empresariais do Estado em torno de uma agenda comum: fortalecer a infraestrutura, reduzir o custo Brasil e garantir previsibilidade nas decisões governamentais — condições indispensáveis para que o setor produtivo continue sendo motor do desenvolvimento nacional.
O debate também reforçou a visão de que o desenvolvimento econômico do País depende de um sistema logístico eficiente e integrado — uma convicção que está no centro da campanha Tudo Gira Sobre Rodas, promovida pelo SETCERGS para valorizar o transporte como força motriz que mantém o Brasil em movimento.