Um dos maiores desafios é o fato que, em muitos casos, o biodiesel é de baixa qualidade e pode causar problemas no motor dos veículos
Embora a intenção seja nobre, reduzir a emissão de gases poluentes e diminuir a dependência de combustíveis fósseis, há preocupações legítimas com a qualidade do biodiesel e seus efeitos na manutenção da frota. O tema tem chamado a atenção no SETCERGS – Sindicato das Empresas de Transportes de Carga e Logística no RS. O biodiesel é um combustível renovável produzido a partir de óleos vegetais, residuais (como de frituras) e gorduras animais.
“Os defensores do aumento do biodiesel argumentam que ele é uma alternativa mais limpa e sustentável ao diesel tradicional. No entanto, não mencionam os desafios enfrentados pela indústria de transporte ao lidar com a qualidade do biodiesel” afirma o presidente do SETCERGS, Sérgio Mário Gabardo.
Situações comuns são entupimento do filtro de combustível, corrosão no sistema de combustível e acúmulo de depósitos no motor, que podem resultar em danos significativos e custos de reparo elevados.
Para evitar esses problemas, é fundamental que haja um controle rigoroso e efetivo de qualidade no biodiesel produzido e distribuído. Isso inclui testes regulares para garantir que a mistura de biodiesel esteja dentro dos padrões de qualidade e que ele seja armazenado e transportado adequadamente.
“No SETCERGS, o entendimento é que se tivermos que usar biodiesel, é crucial que as medidas necessárias sejam tomadas para garantir a qualidade e a segurança dos veículos. Isso deve incluir um controle rigoroso de qualidade, investimentos em tecnologia para aprimorar a produção e o armazenamento e treinamento adequado para os profissionais que trabalham com o combustível”, acrescenta Gabardo.
O Conselho Nacional de Política Energética aprovou recentemente a nova composição do biodiesel ao diesel, que passa de 10% para 12%, a partir do mês de abril. A meta é que ocorra um acréscimo gradual da mistura até 15%, em 2026.
Redação e coordenação: Marcelo Matusiak