Encontro em Porto Alegre discutiu adequações nas Convenções Coletivas de Trabalho e medidas para preparar as operações às novas exigências
Compreender os efeitos do fim da escala 6×1 sobre as transportadoras e reunir subsídios para avaliar possíveis adequações nas Convenções Coletivas de Trabalho foram os objetivos da primeira reunião promovida pelo SETCERGS sobre o tema, nesta terça-feira (20/10), na sede da entidade, em Porto Alegre. O encontro reuniu representantes de empresas de diferentes portes para discutir desafios jurídicos, operacionais e econômicos relacionados à redução da jornada. A iniciativa é conduzida pela Superintendência de Relações de Trabalho, em conjunto com a Comissão Técnica de Relações de Trabalho e a Assessoria Jurídica do Sindicato.
Na abertura, o presidente do SETCERGS, Delmar Albarello, destacou a importância de cada empresário conhecer as particularidades da própria operação para planejar a adaptação. “É um momento de reflexão em que precisaremos nos adaptar. Cada operação vai ter que conhecer a sua realidade e ver o que será viável”, afirmou. A gerente-geral do SETCERGS, Michele Souza, lembrou que a Comissão Técnica de Relações de Trabalho atua desde o início do ano nas negociações das convenções coletivas dos segmentos de carga seca e líquida. Diante das novas exigências, ela reforçou a importância da participação do setor no levantamento de informações. “Queremos entender um pouco da realidade das empresas para que possamos entender o que é possível fazer dentro da convenção coletiva de trabalho. Por isso, é fundamental que as transportadoras possam responder ao questionário para que possamos ter os dados”, ressaltou.
A diretora de Relações de Trabalho do SETCERGS, Taiany Schmitt, explicou que a escuta das empresas permitirá identificar dificuldades comuns, reavaliar convenções já negociadas e verificar quais ajustes poderão ser necessários. Os efeitos, segundo ela, variam conforme o porte da transportadora, o número de funcionários e as características da operação. “Como sindicato, estamos aqui para ouvir as empresas e buscar alternativas viáveis, mesmo neste cenário tão conturbado”, afirmou.
Planejamento jurídico e operacional
O assessor jurídico do SETCERGS e integrante da Comissão Técnica de Relações de Trabalho, Diego Coster, do escritório Zanella Advogados, apresentou orientações técnicas sobre banco de horas, escalas e descanso semanal remunerado. Entre os pontos destacados estão o mapeamento dos postos que operam na escala 6×1, a verificação dos sistemas de registro de ponto e dos softwares de gestão de recursos humanos que poderão precisar de adaptações, além da revisão dos acordos coletivos. A preparação antecipada permitirá identificar os ajustes necessários e organizar as operações conforme as exigências aplicáveis.
A superintendente de Relações de Trabalho do SETCERGS, Andressa Scapini, chamou a atenção para os reflexos financeiros da redução da jornada, especialmente sobre os custos com mão de obra, componente importante na formação do preço do frete. “Temos que prever isso para 42 horas e depois para 40 horas. É preciso fazer esses ensaios e começar os diálogos com os embarcadores. Há quem tenha condições de absorver os custos, mas há quem não consiga”, observou. A orientação é que as transportadoras simulem diferentes cenários de jornada para dimensionar os efeitos sobre os custos e avaliar como negociar os possíveis ajustes comerciais.
Pesquisa e próximo encontro
As contribuições das empresas vão embasar o levantamento do SETCERGS sobre as principais dificuldades do setor e orientar a análise de possíveis adequações nas Convenções Coletivas de Trabalho. Para participar, as transportadoras devem responder à pesquisa “Impactos e Adaptação à PEC 221 e ao Fim da Escala 6×1 no Setor de Transportes”, compartilhando informações sobre sua realidade operacional e os desafios identificados.
O segundo encontro presencial será realizado em 28 de outubro, às 14h, no Hotel Charrua, em Santa Cruz do Sul. A reunião dará continuidade à escuta do setor e à busca por alternativas que considerem as particularidades do transporte rodoviário de cargas e contribuam para a segurança jurídica nas relações de trabalho.
Fonte: Jornalismo SETCERGS