Inteligência emocional e determinação marcam palestra no Latitude Congresso TranspoSul

Psicanalista Luciana Deretti fez um relato sobre perdas, escolhas, carreira e a construção da felicidade

“Todos nós podemos ser vítimas ou protagonistas do nosso destino.” A frase da psicóloga e psicanalista Luciana Deretti, programação do Latitude Congresso TranspoSul, realizado pelo SETCERGS no último sábado (19), em Garibaldi. Diante de 500 participantes, a psicanalista, escritora e mentora transformou a própria trajetória em ponto de partida para falar sobre inteligência emocional, determinação, relações humanas e a responsabilidade de cada pessoa diante das circunstâncias da vida.

Na palestra “Invencível: da vida pessoal ao mundo dos negócios”, Luciana levou ao palco uma história que começou muito antes de sua carreira profissional. Ao mostrar fotografias da infância, contou sobre uma criação simples, marcada por limites, valores e pela chamada “infância raiz”, com joelho ralado, brincadeiras e viagens ao interior. Entre as lembranças estava o caminhão 608 com o qual acompanhava o motorista para transportar cargas ao frigorífico.0

Na adolescência, Luciana perdeu o pai e o irmão, vítima de um assassinato. A mãe, profundamente afetada pelas perdas, enfrentou um período de grande sofrimento. Aos 14 anos, Luciana precisou lidar com a ausência, a responsabilidade e a necessidade de seguir em frente. “Aprendi que a vida não pode ser definida apenas pelo que acontece com cada pessoa, mas também pela maneira como ela responde às circunstâncias”, explicou. Ela lembra que isso aconteceu em diversas fases da vida desde a dificuldade para entrar na faculdade até abrir um consultório sem pacientes em Santa Cruz do Sul. “Prestem atenção aos nãos da vida. Eles podem ser a maior oportunidade de crescimento e evolução que vocês vão ter”, afirmou.

Aprender com frustrações
Para Luciana, enfrentar dificuldades não significa negar a dor ou fingir que tudo está bem. Significa reconhecer o que aconteceu e decidir o que fazer a partir dali. “Nós temos a mania de sermos fiéis ao nosso passado. Precisamos honrar o nosso passado, mas não ser fiéis a ele”, afirmou. A reflexão ganhou uma dimensão especialmente relacionada ao ambiente profissional. Na avaliação da palestrante, empresas são formadas por pessoas e, por isso, questões emocionais interferem diretamente nas relações, na liderança e na capacidade de tomar decisões. O desenvolvimento técnico, segundo ela, precisa caminhar ao lado do autoconhecimento e das habilidades socioemocionais.

Luciana também chamou atenção para a dificuldade crescente de lidar com frustrações. Ao falar sobre filhos e novas gerações, questionou a tendência dos adultos de tentar eliminar todos os obstáculos do caminho das crianças. Para ela, aprender a lidar com o “não”, com o erro e com a dificuldade faz parte da preparação para a vida. A mesma lógica, segundo a palestrante, vale para profissionais e empreendedores. “Vai ser difícil? Sim. Mas eu quero mostrar para vocês que sempre é possível”, afirmou, ao defender que crises também podem abrir espaço para aprendizado e mudança.

Ao longo da apresentação, a palestrante apresentou o conceito de felicidade como uma construção individual, relacionada a escolhas, disciplina, relações e coerência entre aquilo que se acredita e a maneira como se vive. Luciana deixou ao público uma provocação que dialogou com a proposta do congresso: diante das mudanças e dos desafios do mundo profissional, conhecimento e estratégia são importantes, mas não suficientes. Por trás de empresas, negócios e resultados, existem pessoas que precisam estar preparadas para lidar com suas próprias histórias, escolhas e responsabilidades.

Fonte: Jornalismo SETCERGS

Tags

×

Clique no link abaixo. Atendimento de segunda a sexta-feira, das 9h às 17h30.

×