Índice ABCR cai 2,3% em setembro e acende alerta nas estradas

Fluxo pedagiado recua com baixa nos leves e pesados; acumulado em 12 meses desacelera para 2,0% e acende sinal amarelo para o consumo e a indústria

O Índice ABCR, que mede o fluxo pedagiado de veículos nas estradas brasileiras, apresentou redução de 2,3% em setembro de 2026 na comparação dessazonalizada com agosto, segundo dados divulgados pela Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias (ABCR) em conjunto com a Tendências Consultoria.

O resultado refletiu baixas de 2,8% no segmento de veículos leves e de 1,2% nos veículos pesados, em movimento de acomodação após a alta registrada no mês anterior. Na comparação com setembro de 2025, o índice total cresceu 0,2%, com queda de 1,1% no fluxo de pesados e leve alta de 0,7% nos leves. No acumulado dos últimos 12 meses, tanto o índice total quanto suas aberturas por segmento apresentaram alta de 2,0%.

No caso dos veículos leves, o desempenho acompanha a perda de fôlego do consumo das famílias, limitado pelo crédito restrito, pelo endividamento elevado e pela maior parte da renda comprometida com dívidas, apesar do mercado de trabalho aquecido, enquanto o preço dos combustíveis restringe as viagens a lazer.

Entre os veículos pesados, a desaceleração reflete a menor atividade da indústria de transformação, que reduz a demanda por transporte de carga, e o fim dos efeitos positivos da safra agrícola do início do ano. A expansão da infraestrutura logística, impulsionada pelo comércio eletrônico, compensa parte dessa perda. Nos custos, o prolongamento da guerra no Oriente Médio contribuiu para a alta do diesel em setembro, o que encareceu o frete e a produção agrícola, e reforçou a pressão sobre a demanda por transporte de cargas.

Fluxo cresce no Brasil
No acumulado do ano, o Índice ABCR total para o Brasil registra alta de 1,6%, com os veículos leves apresentando avanço de 1,6% e os pesados, de 1,7%. Os dados consolidados de setembro reforçam a tendência de desaceleração gradual do fluxo pedagiado, com o acumulado em 12 meses convergindo para 2,0% em todos os segmentos, abaixo das taxas observadas em períodos anteriores. A combinação de crédito restrito, endividamento das famílias, preço elevado dos combustíveis e menor atividade industrial aponta para um cenário de dinamismo moderado nos próximos meses, ainda que a expansão da infraestrutura logística voltada ao comércio eletrônico ofereça suporte parcial à demanda por transporte de cargas.

Fonte: NTC&Logística

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