Doutor em Comunicação, o palestrante trouxe uma abordagem envolvente para falar sobre as novas gerações e as relações de trabalho
Quem esteve no Latitude Congresso TranspoSul conferiu uma abordagem dinâmica e impactante durante a palestra do doutor em Comunicação Dado Schneider durante a tarde de sábado (19/9). Já no início, o pesquisador surpreendeu ao ficar quase 10 minutos falando através de sinais, o que prendeu a atenção dos 500 participantes do evento. O professor e especialista em comportamento, lembrou que cinco gerações já dividem o mesmo ambiente de trabalho. Enquanto algumas ainda carregam referências profissionais de outras décadas, outras cresceram cercadas por telas, redes sociais e novas formas de se relacionar. “A gente vai ter que se entender”, afirmou.
A questão geracional, segundo Dado, não pode ser tratada apenas como uma diferença de idade. Ela envolve maneiras distintas de compreender autoridade, comunicação, carreira, consumo e até mesmo a relação com o trabalho. A chamada Geração Z, por exemplo, cresceu em um ambiente digital e chega às organizações com expectativas diferentes das gerações que a antecederam. Sustentabilidade, inclusão, diversidade, cooperação e compartilhamento aparecem entre os valores que ajudam a explicar esse novo comportamento.
Dado destacou que a transformação não significa simplesmente esperar que os mais jovens se adaptem aos modelos existentes. A relação precisa acontecer nos dois sentidos. Empresas e profissionais mais experientes também precisam compreender as mudanças e rever formas de comunicação que funcionaram no passado, mas que já não produzem necessariamente os mesmos resultados. “Mudar não significa abandonar tudo o que foi construído, mas aceitar que novas referências passaram a fazer parte das relações. Mudar é aceitar o novo”, afirmou.
Adultos inéditos
O próprio conceito de idade também está mudando. Dado chamou atenção para o fato de que os adultos de hoje são, em muitos aspectos, “adultos inéditos”. São pessoas que acompanharam transformações que vão da televisão em preto e branco ao streaming, dos telefones convencionais aos smartphones e, agora, à inteligência artificial. Essa trajetória ajuda a explicar por que as mudanças tecnológicas e comportamentais acontecem em uma velocidade que desafia referências construídas ao longo de décadas.
A inteligência artificial foi outro ponto abordado pelo palestrante. Mais do que dominar ferramentas, ele destacou a importância de saber fazer boas perguntas e construir bons comandos para obter resultados mais úteis. Nesse processo, repertório e experiência continuam tendo valor. A tecnologia pode ampliar possibilidades, mas a qualidade do resultado também depende da capacidade de quem a utiliza de formular, interpretar e aplicar as informações.
Com relação ao mercado de trabalho, Dado apresentou o momento atual como uma espécie de “adolescência do futuro” e “adolescência do trabalho”. A expressão ajuda a traduzir um período de transição em que modelos antigos ainda convivem com novas formas de trabalhar, comunicar e liderar. Para as empresas, compreender essa mudança passa menos por escolher entre gerações e mais por criar condições para que elas consigam trabalhar juntas.
Foi nesse ponto que a frase “a gente vai ter que se entender” ganhou sentido mais amplo na palestra. Não se trata apenas de compreender os mais jovens, mas de reconhecer que todas as gerações estão sendo chamadas a rever certezas, formas de comunicação e expectativas sobre o trabalho. Em vez de uma relação baseada apenas na adaptação de um grupo ao outro, o desafio está em construir uma convivência possível em um ambiente que continuará mudando.
Fonte: Jornalismo SETCERGS