Reunião compartilhada da COMJOVEM destacou a importância do planejamento e da participação dos colaboradores na gestão dos riscos
Os impactos da atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) na gestão das empresas de transporte foram tema da reunião compartilhada promovida pelos núcleos da COMJOVEM Nordeste, Recife, Porto Alegre, Curitiba, Centro-Oeste Mineiro, Joinville e São José do Rio Preto. Realizado na sexta-feira (14/8), o encontro on-line contou com a participação da fisioterapeuta e ergonomista Carina Silva Moura, que apresentou uma abordagem prática sobre os riscos psicossociais e os desafios para a adequação das empresas.
Durante a apresentação, Carina destacou que a NR-1 não deve ser tratada apenas como uma exigência a ser cumprida, mas como uma questão que impacta diretamente o negócio. “As empresas precisam avaliar os riscos de acordo com a própria realidade e estabelecer um plano de ação que permita definir prioridades e acompanhar as medidas adotadas”, explica. A profissional também chamou a atenção para a importância de envolver os trabalhadores nesse processo.
Uma das estratégias apresentadas foi a formação de grupos focais para explicar o que é a NR-1, qual a sua finalidade e por que a participação dos colaboradores é necessária. A proposta é ampliar a compreensão sobre os riscos existentes no ambiente de trabalho e estimular a participação dos profissionais na identificação de situações que precisam ser enfrentadas pela empresa.
Afastamentos récorde no TRC
Outro ponto abordado foi o impacto da rotatividade e dos afastamentos nos resultados das transportadoras. Carina ressaltou que, principalmente nas empresas menores, nem sempre os custos relacionados à saída de profissionais são percebidos em toda a sua dimensão. Além das despesas com recrutamento e seleção, a rotatividade envolve integração, capacitação e perda de produtividade, podendo também provocar sobrecarga para as equipes que permanecem na operação.
Dados apresentados durante a reunião mostram a dimensão do problema no transporte rodoviário de cargas. Segundo informações do Observatório de Segurança e Saúde no Trabalho (SmartLab/MPT-OIT), entre 2012 e 2024, o setor esteve entre os segmentos econômicos brasileiros com maior número de afastamentos previdenciários acidentários (B91), com 88.527 concessões de benefícios no período. Somente em 2024, foram aproximadamente 7 mil afastamentos.
Identificação de fatores
A especialista também apresentou o processo de gerenciamento dos riscos, que envolve etapas como identificação dos perigos, avaliação dos riscos, controle das situações identificadas, classificação dos riscos e elaboração de um plano de ação e gestão. A partir desse diagnóstico, cada empresa pode definir as medidas mais adequadas à sua realidade e acompanhar sua implementação. A apresentação reforçou que a adequação à NR-1 exige mais do que a elaboração de documentos. O processo envolve conhecimento sobre a realidade das equipes, identificação dos fatores que podem afetar a saúde e a segurança dos trabalhadores e definição de medidas preventivas compatíveis com a operação.
Para a diretora da Superintendência de Operações de Transporte e Logística do SETCERGS e coordenadora do COMJOVEM Porto Alegre, Betina Kopper, o encontro contribuiu para aproximar as novas exigências da realidade das empresas de transporte, trazendo informações para que os participantes possam avaliar a situação de suas organizações e avançar na preparação para as mudanças previstas na norma. “A Carina forneceu uma explicação muito didática e ainda recebemos uma material de apoio fornecido pelo Ministério do Trabalho e Emprego sobre a NR-1 que também estamos disponibilizando para as transportadoras”, finalizou.
Fonte: Jornalismo SETCERGS