“Prosperidade sustentável não se constrói usando pessoas. Constrói-se com pessoas”, provoca a empresária em Garibaldi
O Latitude Congresso TranspoSul, neste sábado (19/9), no Plaza Hotel & Boulevard Convention, em Garibaldi, começou com uma provocação sobre o que significa, de fato, ser líder e a coerência do que um profissional fala e faz. Diante de empresários, gestores e profissionais de diferentes áreas, Erika Linhares afirmou que ocupar um cargo de comando não é suficiente para caracterizar uma liderança e que a capacidade de conduzir pessoas exige preparo específico, coerência e disposição para assumir responsabilidades. “Você pode ter o cargo de todo o seu negócio, mas não ser líder”, disse. A palestra da empresária foi oferecida pelo Grupo Apisul para 500 participantes na Serra gaúcha.
Ao compartilhar episódios de acertos, erros, dificuldades e mudanças de rumo ao longo da carreira, Erika, que começou a trabalhar aos 15 anos, sustentou que liderança não é um título que vem junto com a promoção. “É uma responsabilidade que precisa ser construída na prática, na relação com as pessoas e na capacidade de assumir as consequências das próprias escolhas.” Ela contou sua trajetória que passou por sacoleira, funcionária pública e alta liderança na iniciativa privada, até criar sua própria escola de educação corporativa. “Eu só vou falar aqui daquilo que eu fiz e vivi”, afirmou.
Coerência entre discurso e prática
A palestrante questionou uma prática comum nas empresas: promover profissionais pela excelência técnica e esperar que eles desenvolvam, depois da promoção, as competências necessárias à gestão. “Liderar é técnico. Tem comportamento para isso. É uma ciência que você precisa estudar”, afirmou lembrando que o líder é responsável por orientar, desenvolver e preparar outras pessoas.
A própria história da pedagoga serviu também para que Erika ampliasse a discussão sobre o significado do trabalho. Ao lembrar períodos em que vendeu roupas de porta em porta e outras etapas da carreira, afirmou que sua motivação não se resumia ao dinheiro. “Prosperidade sustentável não se constrói usando pessoas. Constrói-se com pessoas. Empresas precisam reconhecer que dependem das pessoas para funcionar, enquanto os profissionais precisam compreender que também são responsáveis pelos resultados e pelo desenvolvimento da organização.”
“Toda vez que algo dá errado, você coloca a culpa nos outros”
Ela afirmou que empresas, profissionais e cidadãos frequentemente encontram motivos para explicar por que algo não deu certo, mas que essa postura pode impedir uma avaliação mais honesta sobre a própria atuação. “Toda vez que algo dá errado na sua vida, você coloca a culpa nos outros”, afirmou. Para a palestrante, antes de apontar erros no governo, na empresa, no chefe ou no funcionário, é preciso perguntar o que cada pessoa poderia ter feito de maneira diferente.
Ao falar sobre a convivência nas empresas, Erika ressaltou ainda o impacto do comportamento individual sobre as equipes. “Toda maçã podre apodrece as outras, pois ninguém é infeliz sozinho”, afirmou sobre atitudes, relações e comportamentos que podem se espalhar dentro de um ambiente de trabalho e afetar o desempenho coletivo. A responsabilidade, segundo ela, não está apenas em identificar quem gera problemas, mas em saber liderar pessoas diferentes, estabelecer limites e construir uma equipe capaz de trabalhar em conjunto. “Ferramentas potencializam. O ambiente influencia. Mas são as pessoas que transformam tudo isso em resultado.”
Fonte: Jornalismo SETCERGS