Recuo coincidiu com uma fase de menor intensidade do escoamento da safra de verão e de desenvolvimento das culturas de inverno
O movimento de veículos nas rodovias do Rio Grande do Sul caiu 0,6% em julho, na comparação com junho, segundo o Dados do Monitor de Tráfego nas Rodovias, levantamento realizado pela Veloe em parceria com a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe). O resultado considera a série com ajuste sazonal e foi influenciado pela redução tanto no fluxo de veículos leves (-0,7%) quanto no de pesados (-0,3%).
Apesar da queda mensal, o tráfego nas estradas gaúchas ainda registra crescimento nas comparações de prazo mais longo. Em relação a julho de 2025, o movimento total aumentou 1,2%. O resultado, porém, esconde comportamentos distintos: enquanto o fluxo de veículos leves avançou 2,6%, o de veículos pesados recuou 3,4%.
No acumulado de janeiro a julho, o tráfego nas rodovias do Estado cresceu 2,3% em relação ao mesmo período de 2025. Mais uma vez, os veículos leves sustentaram o resultado, com alta de 3,4%, enquanto os pesados apresentaram queda de 1,5%. Considerando os 12 meses encerrados em julho, o fluxo total acumula crescimento de 3,1%. O avanço é puxado pelos veículos leves, que cresceram 4,2%. Entre os pesados, houve praticamente estabilidade, com retração de 0,3%.
Temporais podem ter afetado circulação
A retração de julho coincidiu com episódios de chuva intensa e instabilidade no Rio Grande do Sul. Na segunda metade do mês, sucessivos sistemas meteorológicos atingiram o Estado, com registros e alertas para tempestades, granizo, ventos fortes e volumes elevados de chuva. Essas condições podem ter provocado dificuldades logísticas, contribuindo para a queda mensal. O recuo também coincidiu com uma fase de menor intensidade do escoamento da safra de verão e de desenvolvimento das culturas de inverno.
Transporte de cargas segue mais fraco
Os veículos pesados são um dos principais pontos de atenção. No acumulado de janeiro a julho, a retração é de 1,5%, enquanto nos últimos 12 meses o movimento ficou praticamente estável, com queda de 0,3%. O transporte rodoviário é fundamental para o escoamento de grãos, carnes, madeira, celulose e insumos, além da movimentação ligada aos setores industrial e portuário.
Na distribuição por combustível, predominam os veículos exclusivamente a gasolina, que representam 44% da frota, seguidos pelos veículos flex (gasolina e etanol), com 38,3%. O diesel corresponde a 9,3%, enquanto veículos exclusivamente a etanol representam 2,3%. A participação de veículos elétricos ou híbridos ainda é pequena: 0,5% da frota.
Outro dado chama atenção para o envelhecimento dos veículos em circulação. A idade média da frota gaúcha é de 20,8 anos. Mais de quatro em cada dez veículos (41,2%) têm mais de 20 anos de fabricação. Apenas 12,8% dos veículos têm até cinco anos, enquanto 12,4% estão na faixa de seis a dez anos.
Fonte: Jornal do Comércio