Em Ouro Preto, Intersindical reúne mais 400 lideranças do TRC para debater temas como regulação, legislação e Reforma Tributária

Representando a diretoria do SETCERGS, Andressa Scapini e Betina Kopper, acompanharam os debates sobre temas estratégicos que influenciam o setor

A Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística – NTC&Logística realizou, em 28 de agosto, em Ouro Preto (MG), a reunião Intersindical, que marcou o segundo dia de atividades da segunda edição do CONET&Intersindical 2026. 

O SETCERGS esteve representado no evento pela superintendente de Relações do Trabalho, Andressa Scapini, e pela diretora da Superintendência de Operações de Transporte e Logística e coordenadora do Núcleo da COMJOVEM Porto Alegre, Betina Kopper. O encontro reuniu mais de 400 pessoas, entre presidentes de federações e sindicatos, empresários, autoridades, lideranças e especialistas para discutir pautas institucionais, regulatórias, jurídicas e econômicas com impacto direto no Transporte Rodoviário de Cargas.

Realizada no Hotel Vila Galé Ouro Preto, o evento teve seu primeiro dia dedicado às discussões sobre mercado, custos e perspectivas econômicas e, o segundo dia, durante a Intersindical direcionou os debates para a atuação institucional e temas estratégicos que influenciam o ambiente de negócios do setor.

Entre as palestras “O Novo Cenário Geopolítico Mundial”, ministrada pelo cientista político e analista de risco político Marcelo Suano. Em sua apresentação, o mestre e doutor em Ciência Política pela Universidade de São Paulo (USP) analisou a reconfiguração da ordem internacional a partir das diferentes estratégias adotadas por Estados Unidos, China e Rússia, e ampliou a discussão para os movimentos internacionais que podem alterar fluxos comerciais, investimentos, cadeias de abastecimento e decisões empresariais, conectando o cenário global às perspectivas para o setor.

Entre os pontos abordados, estiveram a ascensão chinesa e a Iniciativa Cinturão e Rota, com investimentos em portos, ferrovias, rodovias e corredores internacionais; a posição estratégica da Rússia nos mercados de energia, alimentos e nas rotas euroasiáticas, e a política externa norte-americana sob Donald Trump, marcada pelo nacionalismo econômico, pelo unilateralismo e pela tentativa de reafirmar a liderança dos Estados Unidos. O especialista relacionou esses movimentos diretamente à logística, mostrando como tarifas, sanções, energia, seguros, segurança e mudanças de rotas internacionais podem chegar rapidamente aos custos, prazos e margens do transportador brasileiro.

“O transportador precisa compreender que a geopolítica hoje é uma variável direta da sua operação. Decisões externas se refletem em rotas, preços de energia, tarifas, seguros e prazos. Para o Brasil, esse cenário exige capacidade de antecipação, infraestrutura adequada, previsibilidade regulatória e uma atuação institucional articulada. A ordem mudou, a logística traduz essas mudanças no dia a dia, e o setor precisa ter informação e voz para se posicionar diante delas”, destacou Marcelo Suano.

Negociações coletivas
Durante o evento, o assessor jurídico da NTC&Logística, Narciso Figueirôa Junior, falou sobre as negociações coletivas no Transporte Rodoviário de Cargas em 2026 e divulgou uma pesquisa realizada com 27 sindicatos, demostrando que 93% das negociações já haviam sido concluídas – em 78% dos casos, os reajustes salariais ficaram acima do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC). O reajuste salarial foi apontado como principal ponto de impasse por 53% dos participantes, enquanto 96% das negociações foram solucionadas sem ajuizamento de dissídio coletivo, comprovando a predominância do diálogo entre as partes.

Narciso também abordou a contribuição assistencial patronal e os reflexos do Tema 935 do Supremo Tribunal Federal (STF), ressaltando a importância de previsão em acordo ou convenção coletiva, razoabilidade, publicidade e direito de oposição. Outro ponto foi a Lei nº 15.485/2026, que trata do piso salarial dos motoristas de longa distância. 

A programação trouxe a atuação da NTC&Logística em Brasília com relação a pautas como a sobre o fim da escala 6×1, a PL 429/2025, sobre tacógrafos, que incorporou proposta da entidade para que a verificação metrológica inicial seja responsabilidade do fabricante ou importador. O evento ainda abordou temas como roubo de cargas, eleições 2026, inteligência técnica, regulamentação, Reforma Tributária e alterações consolidadas pela Lei nº 15.485/2026 na Política Nacional de Pisos Mínimos do Transporte Rodoviário de Cargas.

Fonte: NTC&Logística e Jornalismo SETCERGS

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