O Estado de Santa Catarina deverá ter o primeiro Centro de Apoio ao Transporte de Produtos Perigosos e Transporte em Geral às margens de rodovia conforme exigido por lei, mas que nenhuma estrada concedida à iniciativa privada do país tem. O projeto desse empreendimento foi apresentado, nesta sexta-feira, 5 de janeiro, pela Federação das Empresas de Transporte de Carga e Logística de Santa Catarina (Fetrancesc) e pela concessionária da BR-101 trecho Norte OHL/Autopista Litoral Sul. Será um projeto pioneiro em todos os sentidos, pois não existe nada nessa área e a sua constituição será feita com base na lei e nos debates que correm há seis meses.
A sugestão foi apresentada ontem, na sede da Federação em Florianópolis, durante reunião do Conselho de Representantes e contou com a participação do diretor-superintendente da Autopista Litoral Sul, Márcio Protta, o diretor de Operações da concessionária, Antônio Cesar Ribas Sass, do superintendente dos Serviços de Transporte e de Cargas da ANTT, Noboru Ufugi, do gerente de Regulação de Transporte Rodoviário de Carga, Wilbert Junquilho, do especialista em Regulação de Transporte – área de Produtos Perigosos, Rodrigo Amorin.Esteve presente também o superintendente do DNIT/SC, João José dos Santos.
De acordo como Noboru Ufugi, o projeto agora deve ser encaminhado à Agência Nacional de Transporte Terrestre (ANTT), para que seja analisado e verificado como será sua implantação e os custos desse empreendimento, pois pode haver necessidade de uma readequação no contrato de concessão. "Vamos ver como será a engenharia financeira desse projeto. Tudo vai ser discutido".
O presidente da Fetrancesc, Pedro Lopes, afirmou que o Centro deve ser construído ainda neste ano. Segundo ele, está mais do que na hora de se tratar desse assunto, já que hoje os veículos de carga perigosa estacionam e param em postos de combustíveis, ao lado de veículos que até transportam alimentos. E muitos motoristas até fazem suas refeições nesses caminhões.
E quando é necessário o transbordo, o fazem em qualquer lugar, sem o devido isolamento, pois não há lugar adequado. Lopes defende ainda que sejam instalados esses equipamentos a cada 300 quilômetros e que neles seja instalada uma unidade do Sest Senat.
O diretor-superintendente da Autopista Litoral, Sul, Márcio Protta, explicou que no contrato de concessão está estabelecido que seja disponibilizado uma área para apoio aos transporte de produtos perigosos, mas não especifica nem tamanho e nem o que deve ser feito.Com a participação da Fetrancesc, que conseguiu uma área de 20 mil metros quadrados, que deve ser doada ao Centro, entre a SC-470 e a BR-101 em Itajaí.
Neste espaço, que será administrado pela Federação, foi proposto o projeto do Centro de Apoio. Pela proposta apresentada pela arquiteta Katiúscia Liesenberg, terá um espaço para a parada dos veículos com carga perigosa, de acordo com o grau de risco, terá banheiro para o caso de haver contato com o produto, local para o transbordo, no caso de acidente ou excesso de peso. E um espaço para o deposito dos kits de emergência.
Além, haverá um local para a parada dos veículos de carga em geral, restaurante, cozinha para quem deseja fazer suas refeições, vestiário, banheiros para homens e para mulheres. Serão três edificações sendo que numa delas será instalada a unidade do Sest Senat e a administração da OHL e Fetrancesc. O Sest Senat é a proposta que visa a facilitar ao motorista ao acesso aos serviços de saúde, de orientação e educação para o trânsito e aos treinamentos.
Protta elogiou o trabalho feito por Santa Catarina. Disse que era importante destacar a proatividade dos envolvidos no processo, que está ganhando essa dimensão hoje. O gerente de Regulação de Transporte Rodoviário de Carga, Wilbert Junquilho, destaca que é um projeto pioneiro, necessário, para que o veículo de produto perigo pare em qualquer lugar. Mas disse que por isso mesmo, poderá haver erros, mas o fundamental é que está havendo a discussão e está se desenhando uma proposta concreta.