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16 de setembro de 2020

Demanda global por petróleo pode não recuperar patamar pré-crise

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A demanda global por petróleo pode ter atingido o seu pico e nunca mais recuperar os patamares anteriores à pandemia de covid-19, segundo a petroleira britânica BP. 

 

De acordo com a empresa, o declínio do consumo petrolífero será puxado, sobretudo, pela retração do uso dos combustíveis nos meios de transporte. O estudo Energy Outlook 2020 aponta três cenários de transição energética para uma economia de baixo carbono. Em todos eles, o pico do consumo de derivados do petróleo no transporte rodoviário já passou — embora, nas economias emergentes, ele tenda a continuar crescendo até o início dos anos 2030 no cenário de transição energética rápida (“rapid”) e no cenário mais agressivo (“net zero”).

 

No cenário mais modesto para a transição energética (business-as-usual) o pico de demanda nos emergentes deve ser atingido apenas no fim dos anos 2030.

 

Responsável por mais de 90% da demanda global no segmento, o óleo responderá por 20% a 80% em 2050, dependendo da velocidade das mudanças no hábito de consumo. A expectativa é que o óleo perca espaço com a expansão da frota de veículos elétricos.

 

Nesses dois cenários, a previsão é que o consumo de combustíveis líquidos caia para entre 30 milhões de barris/dia e 55 milhões de barris/dia até 2050, de forma concentrada no mundo desenvolvido e na China. O segmento de transporte responderá por cerca de dois terços do declínio do uso de combustíveis líquidos até 2050.

 

No caso do cenário mais modesto de transição, depois de se recuperar do impacto da covid-19, o consumo de combustíveis tende a se manter estável em cerca de 100 milhões de barris/dia pelos próximos 20 anos, antes de cair para cerca de 95 milhões de barris/dia em 2050. Nessa projeção, a demanda será puxada pela Índia e outros países da Ásia e da África.

 

O economista-chefe da BP, Spencer Dale, destacou que as fontes renováveis “vão penetrar mais rápido [na matriz mundial] do que qualquer combustível na história moderna”.

 

Em meio às transformações do setor, a BP anunciou este ano um aumento nos investimentos em tecnologias de baixo carbono para US$ 5 bilhões/ano até 2030 e planos para elevar sua capacidade de geração renovável para 50 gigawatts, enquanto a produção de petróleo e gás será reduzida em 40%.

 

Mudança nos consumidores

 

A BP acredita que a pandemia desencadeará também algumas mudanças duradouras no comportamento dos consumidores e cita, como exemplo, a perspectiva de aumento do trabalho em casa.

 

Essa mudança estrutural do mercado, segundo a BP, trará implicações significativas para o refino. O excesso de capacidade das refinarias levará ao aumento da concorrência e ao eventual fechamento das refinarias menos competitivas — sobretudo nas economias desenvolvidas, onde a queda da demanda doméstica aumenta a exposição das refinarias a um mercado de exportação de produtos altamente competitivo.

 

Fonte: Valor

Autoria: Guacira

 

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